Esse ano tão estranho finalmente chega ao fim. Quando olho para trás e tento sentir o que ficou, penso em tudo que passou. Tanto medo, tanta agonia, tanta falta de liberdade. Pessoas doentes, outras não, muitas morrendo, outras perderam o chão. Para alguns uma “gripezinha”, outros assintomáticos ou imunes? Muitos doentes do coração, da alma ou de solidão. Uns fingindo que nada acontecia, outros trancados em quatro paredes o maior tempo que podia.
Uma grande tempestade em que cada um foi tocando o seu barco, do jeito que sabia.
Mas no meio disso tudo também apareceu muita empatia. Muita gente se ajudando, lutando para dar algum conforto aqueles que nem o básico tinha. Médicos e enfermeiros da linha de frente dando a vida para salvar outras vidas.
Muita máscara e alcoolgel, lava a mão, lava fruta, paranoia cruel. Quem nunca se arriscou na arte teve tempo para tentar, quem como eu não escrevia começou a se esforçar. Quem não tinha tempo para os filhos foi obrigado a arranjar. Sem escolas, trabalho online, que loucura para tantos pais. Por outro lado os que não tem filho e família, ou esqueceram a quarentena ou ficaram deprimidos.
Para alguns muitas lives, stories, podcasts e cursos online, até yoga e terapia numa tela tudo cabia.
Uns começaram a meditar, outros a cozinhar. Uns pela primeira vez lavaram o próprio chão, outros ainda não. Uns sobreviveram outros aprenderam. Não tem certo ou errado, cada um no seu quadrado. Mas com a sensação de que somos todos parte desse mesmo todo, cada um tateando diferentes partes desse gigante elefante. Cada um de nós lutando suas batalhas, mas ao mesmo tempo, mais do que nunca num mundo polarizado. Mais do que nunca tudo conectado. Mas ainda tudo tão complicado.
Muitas vidas diferentes, tocando seu barco para seguir em frente.
Desejo à todos que 2021 seja mais leve.
Que como humanidade tenhamos aprendido o que for preciso e entendido nossas responsabilidades e possibilidades.
Ana Luisa Dias Carneiro

