
O exercício de nos conectarmos com nossas necessidades serve como um possível ponto de partida para nosso autoconhecimento.Mas ele tem uma outra função que é mais explorada na Comunicação Não Violenta (CNV), o de aprendermos a nos comunicar com base nesse tipo de compreensão. Se entendo o que realmente me incomoda em determinada situação e enxergo isso como a não satisfação de uma necessidade que é minha, posso acolher meu sentimento e tirar o peso e a responsabilidade do outro. Se a pessoa com quem me comunico recebe minhas necessidades e sentimentos sem se sentir atacada, tem mais chance de realmente me ouvir e refletir sobre como melhorar a situação. Se, ao contrário, já inicio um diálogo regado de críticas e julgamento, colocando no outro toda a responsabilidade de suprir minhas expectativas, a probabilidade de virar uma troca de palavras em que ninguém realmente se escuta é muito maior. Essa violência está presente nas discussões de casais e na fala uma mãe amorosa que quer o melhor para seu filho, mas nunca refletiu sobre o peso de suas palavras. Dessa forma, como dizia Marshall Rosemberg, as palavras podem ser pontes e conectar os corações das pessoas ou muros e impedir que o que realmente importa chegue no outro.
Com esse objetivo, os quatro passos do processo da CNV são:
- Identificar qual o fato, sem julgamento de valor, que me gerou incômodo
- Qual sentimento meu foi despertado naquela situação
- Qual necessidades minhas não estavam sendo satisfeitas naquele momento
- Decidir qual o pedido ou fala vou direcionar a outra pessoa no seguinte modelo: Quando você fez (ou aconteceu) …, eu senti … porque tenho uma necessidade … que não estava sendo satisfeita, será que você poderia …?
Inicialmente pode parecer forçado, mas a forma como nos relacionamos com as pessoas ao nosso redor implica em muito do que sentimos dentro de nós e vice versa. Com a prática vamos ficando mais conectados com nós mesmos e treinando nossos ouvidos a também ouvir as necessidades e sentimentos do outro vamos nos tornando seres mais empáticos.
Ana Luisa Dias Carneiro

